O Silêncio Conveniente
Há um tipo de silêncio que diz muito.
Não é o silêncio da reflexão.
Nem o silêncio da prudência.
É o silêncio conveniente.
Ele aparece quando a rua reclama.
Quando a promessa atrasa.
Quando o buraco aumenta.
Alguns que antes discursavam alto agora falam baixo.
Outros, que cobravam transparência, agora pedem paciência.
E há os que simplesmente desapareceram.
O poder tem essa capacidade curiosa:
transforma indignação em cautela
e coragem em cálculo.
Mas a cidade continua falando.
A periferia continua esperando.
O povo continua sentindo.
Silenciar pode até funcionar por um tempo.
Mas o silêncio nunca resolve o problema —
apenas adia a cobrança.
E quando a cobrança chega, não aceita desculpa.
Até a próxima.
— Bezerrito






