O acordo do Carnaval parece que não deu samba
Dizem que no Carnaval tudo se acerta na conversa, no sorriso e no aperto de mão.
Mas passada a folia, a música muda.
O acordo que parecia afinado entre o ex-prefeito Marquinélio e o atual prefeito George Feitosa começa a desafinar antes mesmo da Quaresma chegar.
O arranjo era simples: mexe daqui, encaixa dali, cria-se uma Secretaria de Turismo, desloca-se um secretário, abre-se espaço, acomoda-se aliado. Política é, muitas vezes, a arte da dança das cadeiras.
O problema é que nem todo mundo quer levantar da própria cadeira.
Ao que se comenta a família da primeira-dama e o atual secretário de Transportes — irmão da esposa do prefeito — não demonstram disposição para trocar o volante da pasta pelo roteiro turístico recém-criado.
E quando um não sai, o outro não entra.
Sem a mudança, o vereador Dody não assume Transportes.
Sem assumir, não há espaço para amparar o suplente Keke.
E assim, o que era para ser um desfile harmonioso começa a parecer bloco desorganizado.
Na política, o problema nunca é o acordo.
É fazê-lo sobreviver depois da festa.
Porque promessa feita ao som de tamborim precisa resistir ao silêncio da quarta-feira de cinzas.
E, ao que tudo indica, esse samba pode ter atravessado.
Até a próxima.
— Bezerrito




