A vítima teria afirmado “fazer corre” para o Comando Vermelho, mas a região onde ele foi fazer uma entrega por aplicativo era dominada pela facção rival PCC, segundo as investigações policiais.
O entregador Antônio Josué do Nascimento Oliveira, de 24 anos, encontrado morto nesta segunda-feira (23), em Caucaia, após nove dias desaparecido, foi submetido por membros de uma facção criminosa ao “tribunal do crime”, segundo um documento do inquérito policial.
🔎O “tribunal do crime” é uma forma de justiça paralela, imposta por facções criminosas para controlar territórios, impor disciplina e punir desvios de conduta, operando à margem da lei.
A vítima desapareceu na noite do dia 14 de março, quando saiu de casa, em Fortaleza, para realizar uma entrega no Bairro Araturi, na cidade da Região Metropolitana, solicitada por meio de um aplicativo de comida.
Conforme o documento, ao chegar ao endereço indicado, no “Condomínio dos Linos”, local conhecido como reduto da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), a vítima foi surpreendida e abordada por integrantes do grupo criminoso.
Na ocasião, Antônio Josué foi submetido a um interrogatório pelos indivíduos, prática que tem o intuito de identificar se a pessoa pertence ou é oriunda de bairro dominado por facção rival. O momento foi filmado e divulgado pelos próprios criminosos.
“No referido vídeo, ao ser questionada pelos criminosos sobre seu bairro de origem e acreditando que o bairro Araturi de Caucaia era dominado pela facção Comando Vermelho, a vítima teria afirmado sua vinculação ao Comando Vermelho, revelando ser do Bom Jardim e que fazia ‘corre de droga'”, diz um trecho do documento.
Ao acreditar que estavam com um membro da facção rival, os criminosos entraram em contato com os familiares da vítima exigindo um Pix de R$ 500 para que Josué fosse liberado. O pagamento foi feito, mas o entregador continuou refém dos suspeitos – sendo encontrado morto dias depois.
Dias depois do sumiço de Josué, a Polícia Civil prendeu Raquel Dárphine Monteiro da Silva, de 24 anos, João Pedro Cardoso de Paula, de 23 anos, e um jovem de 18 anos, que não teve a identidade informada. Os três suspeitos seriam membros do PCC.
De acordo com as investigações, Raquel Dárphine participou da extorsão da família do entregador ao fornecer o Pix para receber o dinheiro exigido pelos criminosos.
Após receber a quantia, ela transferiu para João Pedro, com quem tem um relacionamento amoroso. Este, por sua vez, admitiu o recebimento do dinheiro e informou à polícia que a quantia foi pedida por integrantes do PCC com atuação no Bairro Araturi.
O casal passou por Audiência de Custódia no dia 19 de março, antes do corpo do entregador ser localizado. Durante a audiência, Raquel teve a liberdade provisória concedida mediante o cumprimento de medidas cautelares e João Pedro teve a prisão preventiva decretada.
Não há detalhes sobre a paticipação do jovem de 18 anos no crime. No entanto, no momento da prisão dele, realizada no dia 18 de março, os agentes apreenderam drogas na posse do suspeito.
O jovem foi autuado em flagrante por extorsão mediante sequestro, integrar organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico e resistência.




