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Entorno do Crajubar concentra maior número de vítimas de violência doméstica do CE

Aurora, Barbalha, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Jardim, Juazeiro, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri são responsáveis por 1.345 casos ocorridos de janeiro a maio deste ano

As cidades de Aurora, Barbalha, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Jardim, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri contabilizaram, entre janeiro e maio deste ano, 12,31% do total de vítimas enquadradas na Lei Maria da Penha do total observado em todo o Estado, que somou 10.926 vítimas caracterizadas nesse tipo de categoria nos primeiros cinco meses do ano.

Das quase onze mil vítimas registradas pela norma neste ano até o presente momento, 1.345 estão concentradas nesses dez municípios, que fazem parte do Interior Sul do território cearense. As dez cidades estão localizadas na Área Integrada de Segurança 02 – divisões territoriais administrativas utilizadas pela gestão no levantamento das informações.

Os números são compilados pela Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) e disponibilizados na tabela de estatísticas da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Ao examinar a tabela disponível no site da secretaria, é possível constatar uma disparidade ao comparar com os números de outras Áreas de Segurança.

Os dados que englobam esses dez municípios começam em janeiro, com 258 vítimas e em fevereiro 235. O número aumentou levemente em março, com 284 vítimas, depois veio uma sutil redução em abril, com 280, e finalizou até o mais recente período disponível na tabela, em maio, com 288 vítimas, totalizando 1.345 casos.

Números maiores
Os números apresentados são consideravelmente maiores que o de outras AISs, mesmo as que possuem mais cidades, como a AIS 07, que abrange Ararendá, Catunda, Crateús, Hidrolândia, Independência, Ipaporanga, Ipu, Ipueiras, Monsenhor Tabosa, Nova Russas, Novo Oriente, Pires Ferreira, Poranga, Reriutaba, Santa Quitéria, Tamboril e Varjota.

Os dezessete municípios citados contabilizam, até o momento, 457 vítimas enquadradas nessa categoria. A reportagem procurou a SSPDS e questionou possíveis respostas para os totais concentrados na AIS 02 e o que o Estado tem feito como políticas de gestão e políticas públicas para combater as estatísticas desses municípios, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

O espaço está aberto para eventuais manifestações da pasta. Nos últimos quatro anos, o Ceará passou de uma unidade da Casa da Mulher Cearense, em Fortaleza, para seis sedes regionais em funcionamento, considerando as de Juazeiro do Norte, Sobral, Quixadá, Tauá e Crateús.

Mais expansão
O Estado também expandiu o quantitativo de Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs): são 13 ao todo no Estado, com duas na Capital. As Casas da Mulher Cearense que funcionam como centros integrados de acolhimento e atendimento humanizado para mulheres em situação de violência. Entre as dez cidades citadas como as com mais casos de violência doméstica, além de  Juazeiro com uma Casa da Mulher Cearense, apenas três possuem equipamentos municipais da iniciativa – Barbalha, Jardim e Santana do Cariri.

A Casa da Mulher Municipal também atua com rede de proteção e são resultados do Programa Ceará por Elas, uma articulação entre o Governo do Ceará e as prefeituras municipais. As unidades também ofertam cursos de capacitação profissional, atendimento médico na saúde da mulher e espaço infantil para as crianças que estejam acompanhando as mães.

Atlas da violência
Os números dialogam com métricas divulgadas nesta terça-feira (7) pelo Atlas da Violência, estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento, que elucida quantitativos nacionais, apontam que duas em cada três mulheres que buscaram atendimento médico após um caso de violência doméstica relataram que já tinham sofrido agressões anteriores. O dado está vinculado a registros de 2024.

O documento é o mais atual de ambas as instituições enquanto publicação conjunta. Ao todo, afirma a pesquisa, um todo de 186,1 mil mulheres foram atendidas após violência doméstica naquele ano. Entre elas, 100,8 mil, o equivalente a 276 casos diários, disseram que a agressão já tinha ocorrido ao menos uma outra vez anteriormente. O número representa 66,2% do total de ocorrências com resposta válida; outras 51,4 mil, correspondente a 33,8% disseram que aquele era o primeiro episódio.

Houve ainda 33,8 mil casos em que não foi possível obter resposta. Os números, apontam Ipea e FBSP, ajudam a desenhar um retrato persistente da violência doméstica no Brasil: ela raramente aparece como um episódio isolado. Começa com ameaças, avança para agressões, passa por momentos de aparente reconciliação e retorna de forma mais intensa. Muitas vezes, esse ciclo termina em feminicídio. 

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