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Flávio Bolsonaro e Lula vão a segundo turno

A eleição presidencial de 2026 será definida em segundo turno. Os candidatos Flávio Bolsonaro (PL/RJ) e Lula (PT) terão mais três semanas para convencer a maioria do eleitorado a escolher entre um e outro, no dia 25. O senador esteve à frente do petista durante toda a apuração dos votos, nesse domingo (4), embora a marcha dos números tenha diminuído a diferença entre os dois.

Os números finais ficaram em 47,05% para Flávio e 45,14% para Lula, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O desempenho de Flávio, de 45 anos, acompanhou a onda bolsonarista que se desenha, com vitórias estaduais e no Senado sugerindo um domínio do PL e aliados. Lula, de 80 anos, terá uma tarefa bastante difícil contra o filho do antecessor, Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por ter tentado dar golpe ao não aceitar a derrota para o petista em 2022.

Nos planos petistas, o presidente precisava de uma vantagem de alguns pontos para largar em posição mais confortável no segundo turno. Ficar tão atrás não estava previsto nem nas projeções mais otimistas dos adversários. A força do nome do PL no Sudeste surpreendeu.

Pesam no resultado, além da evidente onda pró-Flávio, fatores ainda a serem analisados, como a abstenção em grupos específicos. Mas o voto à direita para o Congresso Nacional, que já era apontado em pesquisas, se mostrou indicador forte.

Inicialmente recebido com descrédito até por aliados, tanto que não recebeu apoio formal e teve de sacar um vice desconhecido, o deputado Alfredo Gaspar (PL/AL), o senador fluminense se consolidou rapidamente apenas por ser filho de quem é.

Os rivais à direita, que tinham esperança de emergir como alternativas na polarização brasileira, fracassaram com índices abaixo dos dois dígitos durante toda a campanha. A desidratação aponta migração para Flávio já no primeiro turno.

Durante a campanha, o senador buscou ampliar o escopo eleitoral e escondeu o pai da propaganda eleitoral, usando a imagem do patriarca apenas em momentos simbólicos, como no lançamento da candidatura, quando o fantasma digital de Bolsonaro discursou via inteligência artificial. Flávio apostou no antipetismo e viu a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) respingar politicamente mais no presidente Lula.

Na campanha do primeiro turno, Lula teve a favor a caneta, embora sem muita tinta. Reajustou o Bolsa Família em 15%, algo que somente chegará à vida real agora para o segundo turno, e acabou por medida provisória com as bets, mirando um público feminino periférico importante.

A economia, em tese vendável por indicadores saudáveis de inflação e emprego, não lhe ajudou, cortesia de juros altos para tentar estancar efeitos da expansão de gastos em meio à degeneração das contas públicas. Ao fim, ainda contou com a fake news de que Flávio ia cancelar, digamos, Nossa Senhora Aparecida, retirando o título oficial de padroeira do Brasil. Houve impacto positivo para Lula entre católicos, mas também entre evangélicos em favor do senador.

Agora, é hora de apoios. É previsível que o centrão vá de Flávio, até por afinidade de identidade, enquanto MDB e o empoderado PSD busquem neutralidade com liberação de apoios individuais. Lula poderá contar com um último potencial tiro com a colocação em votação, pelo Senado, do fim da escala 6×1, uma bandeira com aprovação na casa dos 80% da população.

Após o resultado desse domingo, Flávio falou em “fim da era do PT”, disse não estar preocupado com a perpetuação no poder e reafirmou compromisso com o fim da reeleição. Ele disse só precisar “de um mandato”. O senador afirmou que as quatro indicações de nomes ao STF mostram a importância do mandato em disputa nas eleições de 2026. “O Lula já disputou sete eleições presidenciais. Ele está preocupado com o poder. Eu estou preocupado com o futuro do Brasil”, disse, no QG da campanha, localizado no Lago Sul, em Brasília.

Lula disse que houve uma lição da democracia. “O resultado, muitas vezes, é inesperado, a gente nunca consegue tudo aquilo que queria. Eu confesso para vocês que estava convencido que ia ganhar a eleição no primeiro turno. Mas eu também já pensei isso outras vezes”, declarou.

O presidente afirmou que começa uma nova campanha. “Apenas entre dois candidatos a gente vai poder mostrar a diferença das propostas que a gente tem para o Brasil”, afirmou, no hotel na região central de São Paulo onde acompanhou a apuração dos votos com aliados.

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